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Treinador do Wisla Plock e da Chéquia, Xavi Sabaté destaca a evolução do andebol português, Chema e os irmãos CostaExclusivo 

Xavier Sabaté, treinador do Wisla Plock. Foto: EHF

Um título da Liga SEHA Andebol, duas Ligas húngaras, três Taças da Hungria e uma polaca. Com um currículo de peso no andebol internacional, o espanhol Xavi Sabaté é um profundo conhecedor da modalidade. Não em vão foi convidado para ser um dos preletores de peso o 19.º Congresso Técnico Científico de Andebol, que decorreu no último fim de semana em Gondomar.

Durante a passagem por Portugal, o atual treinador do Wisla Plock, da Polónia, e da seleção da Chéquia conversou com a SportMagazine sobre alguns temas, entre os quais a evolução do andebol português nos últimos anos, o momento de Chema Rodriguez, seu compatriota e ex-jogador e atual treinador do Benfica, e a nova geração formada por Portugal, com destaque especial para os irmãos Costa. Inicialmente o treinador de 45 anos falou sobre o momento vivido pelo andebol luso.

“Creio que [este momento] é espetacular. Não só a nível de resultados, mas a nível desportivo e coletivo. Tanto de clubes, como de Seleção. Como também a formação de jogadores. Estávamos comentando [no Congresso] que nos últimos sete, oito anos, Portugal lançou um série de jogadores jovens de muitíssimas qualidades. Isso quer dizer que começaram a trabalhar nisto há pelo menos 15 anos, e, seguramente, quando começaram a trabalhar melhor, a formar bons treinadores que acho que á a chave para poder formar bons jogadores jovens, acho que evolução do andebol português veio. E é um exemplo para muitos países do resto da Europa”, analisou.

Num breve histórico, em termos de Seleção Nacional, Portugal esteve pela primeira vez apurado para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020, disputados no ano passado.  Em 2020, ao regressar ao Campeonato Europeu após 14 anos, alcançou a melhor classificação de sempre com um honroso 6.º lugar continental. No ano seguinte, 17 anos após disputar o último Mundial, foi a 10.ª melhor equipa do planeta. Este ano, a equipa comandada por Paulo Pereira, já garantiu o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2023.

Foto: Wisla Plock

Em termos de clubes, pode-se apontar o auge do país com o inédito título conquistado pelo Benfica na Liga Europa no último mês de maio. Título que veio justamente diante da equipa de Xavier Sabaté, o Wisla Plock. Antigo treinador de Chema Rodriguez, com quem trabalhou durante cinco épocas no Veszprém [na Hungria], Xavi recordou a decisão com a equipa portuguesa e destacou os méritos do seu ex-atleta.

“Acho que a evolução do Benfica tem sido enorme. Não só durante esta temporada, mas desde a primeira temporada do Chema. Ele já está na segunda, não é verdade? Acho que puderam incorporar vários jogadores de muito nível e creio que o treinador tem muito mérito na evolução da equipa. Nos últimos seis meses, esse crescimento é notório, a equipa evoluiu muito e o treinador tem muita influência nisso, muita responsabilidade nessa mudança. Creio que foram melhores sem dúvida na Final Four e mereceram ganhar claramente”, afirmou.

Na mesma competição continental, o Wisla Plock também teve a oportunidade defrontar e eliminar o Sporting nos oitavos de final. Na ocasião, Xavi Sabaté pôde observar de perto dois dos principais jogadores da nova geração lusa: os irmãos Martim e Francisco Costa, com 19 e 17 anos, respetivamente. Sobre a formação de novos valores, o treinador catalão destacou um ponto chave para Portugal.

“A chave são os treinadores dos jovens. Se tens melhores treinadores, vais poder formar melhores jogadores, é lógico. Acho que uma das coisas que Portugal tem feito muito bem é que há bastante tempo investiram na formação, fazendo muitos congressos, muitos cursos, trazendo gente de muito alto nível para compartilhar o seu conhecimento e acho que isso é o fundamental. E confiar com nos jovens”, observou, a complementar sobre a Seleção de Portugal Sub-20 no Europeu.

“Portugal tem mostrado que coletivamente e a nível individual tem jogadores de alto nível, como os irmãos Costa, que já se pode dizer que têm experiência a nível internacional na Europe League, numa equipa muito forte como o Sporting. Não há muitos jogadores dessa idade que têm essa experiência e essa qualidade. É um ponto muito importante a favor de Portugal”, disse Sabaté. “São duas das equipas favoritas. A Espanha como sempre a nível coletivo joga de forma muito boa e sobretudo defensivamente o forte da Espanha é que recuperam muitas bolas, aproveitam os erros dos adversários e aproveitam os contra-ataques. A Espanha faz isso muito bem e as duas equipas podem vencer, são dois dos favoritos”, acrescentou.

Questionado, por fim, se Portugal ainda teria muito a aprender com o andebol espanhol para desenvolver a sua liga nacional e a própria seleção, Xavi Sabaté afirmou que os dois países têm a aprender um com o outro e destacou uma força lusa ímpar: a força física.

“O que acho é que se pode aprender de todos os lados. Não só os portugueses dos espanhóis, mas os espanhóis dos portugueses. Portugal vive uma evolução espetacular nos últimos anos. De todas as formas, há que se filtrar muitas as influências e se deve aprender de todos. As características dos jogadores portugueses são diferentes dos espanhóis. Eu acho que Portugal fisicamente é muito melhor que a Espanha, que tem jogadores com outras características e há que saber o que se pode pegar, o que se pode aprender para melhorar, sempre a depender da característica dos seus jogadores. Pode-se pegar por exemplo, a defesa de Portugal, que é muito eficiente e não seria possível se não tivessem um determinado tipo de jogadores”, pontuou.

Xavi Sabaté costuma dar cursos de formações a treinadores. Foto: Wisla Plock

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