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Xavier Sabaté no 19.º Congresso Técnico Científico de Andebol: “Melhores treinadores conseguem formar melhores jogadores”

Xavier Sabaté, treinador do Wisla Plock. Foto: Daniel Leal/SM

Arrancou na manhã deste sábado, no Pavilhão Multiusos de Gondomar, o 19.º Congresso Técnico Científico de Andebol, que tem como tema “Do Talento à Confirmação”, numa organização da Federação de Andebol de Portugal, com o apoio da Câmara Municipal de Gondomar. O evento, que decorre até o domingo, contou com a presença na preleção inicial com o espanhol Xavier Sabaté.

Treinador do Wisla Plock e da seleção da Chéquia, Sabaté apresentou-se para um público superior a 200 profissionais do andebol (no formato presencial e online) sobre o tema “La formación de jugadores de alto rendimiento”. Com o conhecimento de quem tem passagens por equipas como o Telekom Veszprém (2015 a 2017) e como selecionador nacional da Hungria (2016 a 2017), o profissional EHF Master Coach compartilhou um pouco do seu conhecimento.

“O desporto de equipa é multifatorial e variável”, começou por explicar Sabaté. De acordo com o treinador, as situações de jogo podem – e devem – orientar as decisões, os “mecanismos perceptivos”, a partir de uma série de eventos que estão no entorno de um jogo ou mesmo de uma competição, em especial no que se refere aos jogadores mais jovens.

“Os jogadores têm as suas habilidades motoras e cognitivas, alguns defendem melhor que outros, uns são melhores no um contra um. Há a técnica, a capacidade e a velocidade de aprendizado de cada jogador. Isso é importante detectar, assim como os diferentes contextos. Todos esses fatores são fundamentais para as tomadas das melhores decisões”, explicou Sabaté, a apresentar uma série de exemplos práticos em vídeo.

Sobre o desenvolvimento dos atletas de formação, o treinador espanhol observou que há uma série de exercícios “chaves” que são essenciais no aprendizado e que devem ser praticados para que o jogador profissional esteja pronto para determinadas situações, aquando necessário ser chamado à equipa principal.

“Há dois tipos de exercício: de melhoras claras dos conteúdos que temos desenvolvido e os ‘key exercices’, que são exercícios que consideramos que são bons por nossa experiência, que ajudam na evolução do jogador, e que periodicamente fazemos no sénior e queremos que os jovens também saibam fazer porque não quero perder tempo quando de estar cinco minutos a explicar a um jogador da formação quando eu precisar dele na equipa principal. As equipas de formação precisam ter esses ‘key exercices’, que precisam praticar pelo menos duas vezes por semana, porque consideramos que são essenciais para a sua formação”

Alguns desses exercícios foram exemplificados em situações práticas, em vídeo, com situações de minicampo reduzida, de ataque e contra-ataque de três contra dois. “No sistema de jogo é muito importante a observação para a tomada de decisão”, insistiu. Outro exemplo, com o campo inteiro, tratou de situações básicas como o domínio da bola e mais situações de um contra dois, ou dois contra três, ou três contra quatro; assim como os trabalhos específicos para pivôs, centrais e as demais posições. “São situações absolutamente comuns, que o atleta jovem precisa estar adaptado e pronto para tomar a melhore decisão”, disse, a alertar que a repetição dos exercícios são fundamentais para o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento.

“Se temos uma defesa muito com muitas saúdas em pares, o que implica em muito trabalho dos pontas. O que implica que nas nossas categorias inferiores, cadetes, juvenis, algo fundamental é a formação um contra dois. É importante que seja muito bom nesse aspeto. Se a nossa defesa fosse mais plana atrás, talvez não seria tão essencial esse tipo de trabalho aos pontas. O que quero dizer é que, a partir do nosso modelo nas equipas sénior, é que observamos e formamos os valores que queremos e buscamos nas categorias de formação”, destacou Xavier Sabaté, numa preleção de aprofundado conteúdo técnico.

Por fim, Xavier Sabaté destacou que Portugal tem se tornado um exemplo, inclusive para Chéquia, onde é selecionador, na formação de treinadores e no desenvolvimento do andebol.

“Portugal, nos últimos seis, sete anos, tem apresentados muitos jogadores de alta qualidade, muito bons. Tenho certeza que Portugal não começou um trabalho há sete anos, há sete colhe os frutos, mas digo que há 15 anos já começaram a trabalhar de forma muito boa. O importante é formar treinadores, porque se consegues melhores treinadores consegues formar melhores jogadores. A partir disso, dou sempre o mesmo exemplo: um bom e um mau professor de inglês. Com um ruim, não vais falar bem. Com um bom tens mais chances de falar melhor. Então, bons treinadores, melhores jogadores. Penso que muito do que está a acontecer em Portugal tem relação com a formação de treinadores”, afirmou.

O Congresso Técnico Científico de Andebol está homologado pela EHF, para a renovação da EHF Pro License e pelo IPDJ, para efeitos da formação contínua de treinadores com 3 UC.

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