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Ricardo Oliveira avalia o trabalho à frente da seleção e a elite do ténis de mesa nacional: “Dão cartas em várias ligas pelo mundo”Exclusivo 

Ricardo Oliveira é o selecionador nacional de ténis de mesa. Foto: FPTM

Como um bom profissional que vai subindo degrau a degrau na carreira, Ricardo Oliveira assumiu no último mês de janeiro o cargo de selecionador nacional da equipa sénior masculina. Com uma longa história no ténis de mesa nacional, o ex-atleta foi internacional em todos os escalões, tendo representado Portugal em três Campeonatos do Mundo, e já estava dentro da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa desde 2012 em outras funções. Agora tem nas mãos a missão de levar Portugal aos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e manter a evolução na modalidade.

Ricardo Oliveira pratica ténis de mesa desde os 6 anos de idade e ao longo da carreira representou o GD Monte Aventino, CF Estrela da Amadora, Sporting CP (onde esteve por 11 anos) e GDCS Juncal, clubes pelos quais conquistou vários títulos nacionais de equipas, tendo-se sagrado campeão nacional individual de seniores em 2001. Terminou a carreira no final da época 2014/2015.

Além disso, o selecionador também já desempenhou o cargo de vice-presidente da FPTM entre 2012 e 2015 e em 2017 passou a integrar a equipa técnica das Seleções Nacionais Jovens e do Centro de Alto Rendimento de Vila Nova de Gaia. Atualmente, Ricardo Oliveira finaliza um Curso Desportivo na Universidade de Delaware, nos Estados Unidos.

O treinador de 40 anos, natural do Porto, conversou com a reportagem da SportMagazine sobre o desafio na função atual, os planos, a geração de grandes atletas que Portugal dispõe e os próximos objetivos.

Foto: FPTM

SportMagazine – Assumiu o cargo de selecionador nacional em janeiro, a substituir o Kong Guoping. São ainda poucos meses à frente da equipa masculina, mas como avalia o arranque do seu trabalho neste novo cargo?

Ricardo Oliveira (RO) – Acima de tudo tem sido desafiante, porque apesar de anteriormente já ter grande proximidade com este grupo de trabalho, nunca tínhamos trabalhado de uma forma tão direta. Basicamente estes primeiros tempos passam muito por eles me entenderem enquanto treinador, aquilo eu vejo e que me parece que seja relevante passar. E, por outro lado, eu os entender a eles e perceber que são jogadores que já levam mais de 20 anos de carreira e que entendem o seu corpo e o seu estilo de jogo melhor do que ninguém.

SM – É muito comum que se fale da preparação dos atletas para as competições. Mas o Ricardo, como selecionador nacional, também precisa se preparar – e talvez até mais ainda do que quando era atleta. Duas questões: o que faz para manter-se atualizado na profissão? E é mais difícil ser treinador ou ser atleta?

RO – Ao contrário daquilo que pensava quando era atleta, são ambas altamente desafiantes. A principal diferença, para mim, passa muito pelo simples facto de que quando somos jogadores “podemos” ser muito mais introspectivos. É mais um trabalho individual do que outra coisa qualquer. Na vertente de treinador, passa muito por “passar” as nossas ideias, mas a maneira como as passamos temos de ter em conta que tem vários receptores e todos eles com maneiras de estar e com personalidades diferentes. Para me manter atualizado, leio, vejo tudo o que esteja relacionado com desporto e estou neste momento a terminar um Curso Desportivo com a Universidade de Delaware [nos Estados Unidos], em convénio com o COP [Comité Olímpico de Portugal].

SM – Está no ténis de mesa desde criança, já conquistou inúmeros títulos e conhece como poucos essa modalidade. Neste percurso, seguramente existiram alguns fatores que foram essenciais para a sua evolução como atleta e treinador: a estrutura física dos clubes/Seleção, o apoio técnico, o apoio familiar e a sua própria força de buscar o melhor. Algum destes pontos foi mais do que outro ou acredita que o conjunto disso tudo é o fundamental?

RO – Acredito profundamente que foi um bocadinho de todos esses fatores. Hoje mais do que nunca, acho que aquilo que faz os atletas melhores ou piores obedece a toda uma estrutura envolvente ao próprio atleta e que depois obviamente “desagua” na personalidade intrínseca do próprio atleta. No meu caso, tenho perfeita noção que tudo começou na minha envolvente familiar e se desenvolveu por todos os clubes, dirigentes, amigos, grupos de treino etc.

SM – Portugal tem sido um país a apresentar boa evolução no ténis de mesa nos últimos anos, com atletas de destaque. Em que posição coloca o ténis de mesa português em relação a outros países e o que acha que podemos melhorar ainda?

RO – Se existe algo que os nossos melhores jogadores fizeram nos últimos anos é continuamente nos provarem que tudo é possível. A verdade é que acho que estará sempre muito mais dependente da vontade deles de quererem continuar a trabalhar da maneira que trabalham. Enquanto eles sentirem o “fogo” que sentem de quererem ser melhores do que já alguma vez foram podemos sempre obter bons resultados. O ténis de mesa tem sofrido muitas alterações de base nos últimos anos, a bola mudou, as borrachas mudaram, as regras do próprio jogo mudaram, e mais uma vez foi assente na premissa do “trabalho” e do quererem ser melhores do que já foram que conseguiram adaptar-se e manterem se ao mais alto nível. Dentro deste nível de elite, sabemos que tudo pode acontecer.

SM – Acumula também as funções de Coordenador das Seleções Nacionais Jovens e Diretor Técnico do Centro de Alto Rendimento. Com a experiência de quem está a ver de perto uma nova geração ser formada, como podemos projetar Portugal nos próximos ano no ténis de mesa? Apontaria algum ou alguns nomes a serem observados de perto?

RO – Falar de nomes e desvirtuar aquilo que tentamos “ensinar” no Centro de Alto Rendimento. Preferimos falar em modos de treinar e modos de encarar o treino de alto rendimento. Quem estiver disposto a comprometer-se com o “alto rendimento” terá sempre hipóteses de chegar a patamares elevados da nossa modalidade. E isso deve ser um orgulho para o nosso desporto, podermos dizer que em Portugal existem condições para formar atletas de elite no nosso desporto. E que temos toda uma estrutura que envolve o próprio Estado, Federação, COP, escola UAARE de Vila Nova de Gaia e a própria Câmara Municipal, em que cada parte contribui para hoje miúdos de 12 e 13 anos possam treinar com o intuito de serem profissionais de Ténis de Mesa.

SM – Portugal tem alguns atletas de alto nível. Podemos citar alguns: Marcos Freitas, João Monteiro, João Geraldo, Tiago Apolónia e Diogo Carvalho… Como avalia a geração atual de atletas?

RO – Tal como expliquei numa pergunta anteriormente, acho que este conjunto de jogadores é de facto excepcional. E acho que apesar de alguns terem mais exposição que outros, temos um grande “cuore” de jogadores profissionais, que dão cartas em várias ligas pelo mundo fora. Mas sem dúvida que alguns se podem juntar a esses nomes e a nossa verdadeira função no Centro de alto Rendimento é juntar cada vez mais nomes a essa lista de elite do ténis de mesa mundial.

SM – Por fim, qual seriam a curto e a longo prazo os grandes objetivos do Ricardo Oliveira à frente da Seleção Nacional?

RO – A curto prazo, sem dúvida que passa pela qualificação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. A longo prazo, penso que passará muito pela continuidade da qualificação da nossa modalidade para os seguintes Jogos Olímpicos. Se ao mesmo tempo conseguirmos dar consistência à formação de atletas com nível suficiente para jogarem nos principais palcos da nossa modalidade, diria que estamos no “bom caminho”. O destino nunca se encerra connosco e com o “nosso” trabalho.

Foto: FPTM

1 Comentário

1 Comentário

  1. Fernando Raposo

    Maio 7, 2022 at 12:39 pm

    Gostei do da qualidade do “sumo” da entrevista. Muito positivo e entendedor quer da personalidade dos atletas da alta competição quer da formação. Parabéns e espero que tenha o devido sucesso.

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