5 de Fevereiro 2023 04:54
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“Natação Paralímpica: que adaptações para o sucesso?” em debate no Congresso APTN

Foto: SM

Leiria – Num primeiro dia repleto de sessões, apresentações de artigos e debates, um espaço em especial foi reservado no 45.º Congresso da APTN para discutir a natação adaptada em Portugal. Num encontro moderado Leila Marques Mota, ex-atleta e atual vice-presidente do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), ganhou destaque no evento, que decorre até o domingo no Instituto Politécnico de Leiria, o tema “Natação Paralímpica: que adaptações para o sucesso?”. Para a conversa, a mesa foi composta pelo nadador paralímpico Daniel Videira; e pelos treinadores Gonçalo Neves (Louzan Natação) e Nuno Quintanilha (Colégio Vasco da Gama).

Ex-atleta de destaque nacional e internacional, Nuno Quintanilha atualmente é o treinador da paralímpica Susana Veiga, medalha de prata nos 50 metros livres S9 nos Mundiais de natação adaptada este ano, no Funchal. Na função de técnico desde 2018, Quintanilha observa a satisfação em ter optado por trabalho no adaptado e com uma atleta que ele aponta como “especial”.

“A nível de resultados os nossos pessoais foram todos atingidos. Tóquio foi excelente [foi a única atleta da natação lusa na competição]. No aspeto pessoal, como treinador da Susana e tendo atleta que tenho, sei que faltou apoio fora da perspetiva da competição: como apoio psicológico, nutricional… São coisas que todos sabemos que são necessários, extremamente necessário, para os paralímpicos e todos os atletas. É cada vez mais importante canalizarmos uma certa quantidade de verba para esses aspetos. Fora fazer mais provas internacionais que são importantes. Vemos lá fora os atletas a competir quase diariamente e isso falta à natação portuguesa no geral; faltam provas internacionais, conhecer os inimigos e isso é um passo a dar para Paris 2024”, detalhou Nuno Quintanilha, a pontuar a ausência de um apoio multidisciplinar para a sua atleta olímpica.

Daniel Videira, 6.º classificado na final dos 400 metros livres S6 nos Jogos Olímpicos, em Tóquio 2020, ressaltou que Portugal não está a conseguir acompanhar a evolução internacional que os demais países adversários vêm tendo na modalidade.

“Houve realmente um salto de qualidade a nível internacional muito grande. As marcas são batidas todos os anos e às vezes a diferença de um recorde para outro são significativas. Havia uma geração que estava no nível forte, mas houve um salto a nível internacional e o nível nacional não aumentou tão significativamente. O que vejo para próximos anos é que na nossa Seleção há atletas muito jovens com grandes resultados e acho que temos potencial para conseguir ótimos resultados”, começou por dizer o atleta treinado por Carlos Mota.

“Acho que há potencial para grandes resultados, há havido evolução nos últimos anos. Para além dessa geração integrada, a Seleção nesses últimos quatro anos não tem lançado novos atletas integrantes, talvez a pandemia tenha impactado. Mas pensar nas gerações seguintes, não vejo tantos atletas a aparecer e é importante que eles apareçam a pensar nos ciclos olímpicos de 2028 e 2032”, alertou o atleta paralímpico.

Treinador de atletas destaques nacionais nesta temporada, como Camila Rebelo e Gabriel Lopes, o experiente Gonçalo Neves lançou-se há menos tempo também a treinar na natação adaptada, nomeadamente tendo como atleta Diogo Cancela, medalha de bronze no Mundial, disputado no Funchal (Madeira) nos 200 metros estilos. Nos últimos Jogos Paralímpicos, Diogo Cancela melhorou a marca nacional nos 100 metros bruços SB8 com 1.21,35 minutos, apesar de não ter garantido a presença na final. Neves falou sobre os desafios que encontrou para trabalhar com um atleta na natação adaptada.

“Confesso que no início não foi fácil depois de estar habituado tanto com atletas ditos ‘normais’, com dois braços, duas pernas, e passar a ter um atleta com um só braço. No começo é complicado, e eu tentei não transmitir isso ao Diogo. Foi muito diferente do que eu estava habituado, mas aos poucos foi-se criando um desafio interessante. Quando surgem novas situações, temos que nos adaptar e assim foi: comecei a pesquisar no Youtube, a fazer experiências… Ele já trazia tempos muito bons, começámos a aprimorar aquilo que achávamos ideal para ele. Realizamos algumas experiências e a partir daí alterámos algumas coisas e potencializamos o que ele tinha de melhor. Ele entrou grupo de treino muito bom, onde está o Gabriel [Lopes], a Camila [Rebelo] e adaptou-se bem”, explicou Gonçalo Neves.

O encontro seguiu a debater as condições para formar novos atletas no adaptado, questões estruturais, questões multidisciplinares, onde de maneira geral a falta de apoio financeiro foi apontada como um desafio a superar. Outro tema abordado por Nuno Quintanilha foi uma sugestão para atletas integradas entre atletas com e sem deficiência. Na altura, o histórico treinador Vasconcelos Raposo recordou da plateia que já houve a tentativa de se fazer esta integração e lamentou a falta de apoio. “Está na hora então de repensarmos essa possibilidade”, reforçou Leila Marques Mota.

Com um público composto por dezenas dos principais treinadores de natação do país, o 45.º Congresso da APTN decorre no Instituto Politécnico de Leiria (Escola Superior de Educação e Ciências Sociais – ESECS). O evento acontece até o domingo com cerca 400 inscritos, 60 convidados e mais 14 oradores autopropostos numa extensa programação.

Aos participantes, o encontro garante certificado de formação para fim de revalidação de título profissional de treinador (2.0 unidades de crédito) e de técnico de exercício físico e direção técnica (1.0 unidades de crédito); além de acreditação pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC) dos grupos 260/620, na modalidade curso de formação (29 horas).

Foto: SM

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