30 de Setembro 2022 08:02
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Formação de Treinadores: Perspetiva do andebol, por Marco Santos

Na n.º2 da SportMagazine pode contar com uma peça sobre a formação de treinadores. Contudo, aqui  pode ter acesso à entrevista exclusiva feita a cada interveniente. A formação de treinadores é, em Portugal, algo bastante recorrente que tem vindo a sofrer bastantes evoluções ao longo do tempo. Desde a implementação de cursos, e muitas outras ações. Fique com a opinião do entrevistado.

SM – Qual é a sua perspetiva daquela que é a formação de treinadores?

Marco Santos (MS) – Nós aqui na FAP desde que saiu esta nova lei, decidimos fazer grandes remodelações nos cursos de treinadores. E decidimos que seria essencial abordar mais técnica e tática mesmo de andebol. O conteúdo era muito disperso, e perdia-se muito o foco de que era o treinador de andebol. Decidimos traçar um plano em que iriamos iniciar nos cursos de treinador uma revolução, não só estrutural, mas reformulamos no sentido em tornar os cursos apenas e só para andebol.

Passámos a adotar que em todos os cursos começasse a haver o acompanhamento de uma plataforma digital.

O mercado português é muito curto, para que os treinadores se dediquem a tempo inteiro. Formamos desde o grau I para os treinadores poderem dar o passo para fora do país.

Apostar numa formação base muito mais prática, estágios estão a ser monitorizados ao pormenor.

SM – Como acha que se pode melhorar essa formação, de maneira geral?

MS – Necessidade da língua estrangeira mais acompanhamento. Avaliação de todas as unidades que são dadas, para que no fim de cada se conseguir identificar os problemas existentes. Há reuniões para perceber o que há a melhorar.

SM – Fizemos um questionário rápido a alguns treinadores e levantaram fragilidades no seu percurso como: falta de tempo, pouco reconhecimento e uma falha no enquadramento no que toca ao equipamento e materiais. Concorda? Como pode ser resolvido?

MS – No primeiro caso, é incrível a força de vontade que os treinadores em Portugal têm perante as condições que lhe são proporcionadas. Em Portugal é raro que um treinador tenha só uma equipa, por norma, no mínimo, tem duas equipas. Se fosse só uma podia ter muito mais tempo. Agora todos os dias estão em treino, a preparar treino, nas instalações, depois ainda há jogos com deslocações. Concordo, porque é incrível. Um treinador deixa quase tudo de lado, durante uma época tem cerca de meia dúzia de fins de semana com a família.

O facto é também o reconhecimento que é dado. Se o trabalho fosse recompensado creio que o primeiro fator seria recompensado. Depois não é só em termos financeiros, mas em reconhecimento. Temos treinadores que são postos em causa por um pai, por exemplo, que não percebe da situação. Para além de não ser reconhecido a nível financeiro nem a nível de trabalho.

A nível de instalações também há o problema. Quando um treinador aceita ir para uma equipa, esquece-se de ver se o clube ter as condições para o trabalho que se pretende fazer. Sem isso não é possível. Há treinadores que conseguem dar a volta, mas muitas vezes não. Os dirigentes na sua maior parte que não percebem o que é ser treinador e, para eles, só há dois objetivos: gastar o menos possível e ganhar o mais possível.

O treinador é pai, amigo, é treinador, é quem vê os atletas com dificuldades e compra livros, cadernos, às vezes até refeições e os dirigentes só olham para os treinadores como sendo alguém que recebe e está lá para vencer. E, sendo assim, é complicado.

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