5 de Fevereiro 2023 05:18
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Os efeitos do sucesso de Hugo Campos e João Pedrosa em Portugal: “Vão incentivar muito mais as crianças a jogar voleibol de praia”

Hugo Campos e João Pedrosa, dupla de voleibol de praia portuguesa. Foto: FPV

O voleibol de praia português tem vindo a crescer nestes últimos anos. E uma parcela importante disso pode ser creditada por culpa dos bons resultados obtidos recentemente por uma dupla em especial: Hugo Campos e João Pedrosa. Leonel Salgueiro, diretor técnico nacional, além dos próprios atletas em questão, conversaram com a SportMagazine sobre este crescimento da modalidade e a visibilidade que ela tem vindo a ganhar este ano. No último fim de semana, por exemplo, Campos/Pedrosa alcançaram um quarto lugar no Beach Pro Tour Challenge de Torquay, na Austrália – a melhor classificação de sempre em etapas da categoria Challenger do Circuito Mundial. Os efeitos dessa evolução são imediatos: mais estímulo a novos talentos e a permissão para sonhar de forma concreta com os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

Antes, há muito trabalho que foi e está a ser realizado. Leonel Salgueiro afirma existir enormes alterações no voleibol de praia “naquilo que é a dedicação dos atletas à modalidade”. De há uns anos para cá, segundo o próprio, os atletas não se dedicavam “de forma exclusiva” à vertente de praia do voleibol, sendo esta algo sazonal – era praticado o voleibol indoor, conforme o conhecemos, no inverno, e, durante o verão, regressava no voleibol de praia. Hoje em dia, tendo como exemplo João Pedrosa e Hugo Campos, a dedicação deixou de ser pura e simplesmente sazonal, passando mesmo a ser a tempo inteiro para alguns jogadores.

No entanto, ainda existem mudanças a fazer para que esta vertente da modalidade cresça e ganhe mais exclusividade.

“Esse também é o nosso objetivo: tentar mudar. Sabemos que temos muitos atletas jovens que conseguem conciliar a prática da praia com voleibol indoor, mas quando chegaram à Primeira Divisão é incompatível. Portanto, este investimento que temos feito é a longo prazo, para atletas que conciliaram sempre a atividade indoor com a de praia, até determinado ponto em que efetivamente se deparam com talento para o alto nível e aí falamos com eles e fazemos um procedimento no voleibol de praia para uma dedicação exclusiva. Temos sempre de recorrer a atletas que jogam indoor durante o ano e voleibol de praia depois, como as vice-campeãs nacionais, Margarida Santos e Ana Monteiro. São duas miúdas com 17 anos, de 2005, jogam indoor, Primeira Divisão, e depois jogam voleibol de praia (…). Elas ficaram em 13º no europeu sub-18, portanto têm aqui alguma margem, algum potencial. Nós agora temos de analisar, avaliar e perceber se efetivamente se revelarem uma dupla de alto nível também tentaremos que joguem só voleibol de praia. Não tenho dúvida que, neste momento, para ter sucesso no voleibol de praia e chegarmos ao sonho de qualificação olímpica [como querem Hugo e João], é jogar exclusivamente voleibol de praia”, disse.

Leonel Salgueiro, DT da FPV. Foto: Federação Portuguesa de Voleibol

Para além desta necessária exclusividade, existem outros fatores que a pouco e pouco vão construindo um caminho maior para o voleibol de praia. Entre os quais está a criação do Centro de Alto Rendimento (CAR), em Cortegaça. Leonel Salgueiro afirma que a existência do CAR permite “ter condições para a prática durante o inverno”.

“Nós sabemos que, apesar do inverno do norte ser mais rigoroso que no sul e no centro, há muitos períodos em que podemos treinar cá fora, mas há momentos em que temos de treinar indoor e, portanto, temos de ter isso salvaguardado para que eles possam treinar. Se queremos realmente dar o passo em frente temos de criar condições para que os atletas possam dedicar-se em condições ou com condições ao voleibol de praia”, afirmou.

Não só existe o CAR, que traz essas vantagens, como estão a ser criadas iniciativas dentro do mesmo para chamar, de certa forma, a atenção aos mais novos para o voleibol de praia. Nas férias de natal vai realizar-se um campo de férias de cerca de seis dias. Para além disto, vão ser feitas melhorias no Centro de Alto Rendimento para que este tenha mais condições para os seus atletas.

“Vamos agora também, juntamente com a Junta de Freguesia e com a Câmara Municipal iniciar as obras de requalificação, portanto vamos criar condições de alojamento, salas de trabalho, balneários novos, para conseguirmos também receber outras duplas que venham depois treinar com as nossas equipas, que também é extremamente importante durante o inverno, que não há competição, conseguirmos reunir as condições para receber duplas de bom nível que queiram e possam vir treinar connosco”, realçou.

Muito recentemente, Portugal tem tido grande destaque no voleibol de praia com João Pedrosa e Hugo Campos – campeões mundiais universitários que, no passado domingo, voltaram a ganhar destaque com a ida às meias-finais no Beach Pro Tour Challenge de Torquay, na Austrália. Aquando perguntado acerca dos resultados da dupla e se, de facto, estes influenciam a projeção da modalidade de voleibol de praia, o diretor técnico nacional não teve quaisquer dúvidas.

“Ter bons resultados internacionais e a projeção mediática que nós conseguimos através da comunicação social são um fator preponderante para conseguirmos desenvolver a modalidade. Portanto, não temos a menor dúvida que os resultados têm que continuar assim. Certamente que, no fundo, vão incentivar muito mais as crianças a virem jogar voleibol de praia, isso não temos a menor dúvida. Esses resultados são fundamentais tal como acontece nas seleções séniores”, disse.

Paris 2024, um sonho possível

Se há uma palavra pode definir o que foi a época de 2022 para João Pedrosa, e Hugo Campos, certamente esta é: resiliência. Após começarem o ano em baixa, com derrotas que frustraram a dupla, os dois jovens, de 22 e 21 anos, respetivamente, tiraram forças para reagir ao longo do ano e superar a desconfiança sobre si mesmos.

“Acho que o ano de 2022 foi sem dúvidas uma montanha russa. Começou bem mal para nós. Os três primeiros torneios do ano ficámos pela qualificação na Challenger. Não foi fácil. Os nossos níveis de confiança não estavam lá muito bons. A partir daí foi complicado jogar em qualquer ocasião. Sem a confiança é complicado jogar. Mas a medida que a época foi decorrendo fomos reestabelecendo os nossos níveis de confiança, o nosso ritmo de jogo aumentou e conseguimos acabar a época sendo campeões nacionais, campeões mundiais universitários, e agora com um quarto lugar na última etapa de Challenger do ano”, relembrou João Pedrosa.

Juntos desde 2016 – mas apenas a partir de 2019 começaram a dedicar-se exclusivamente à praia – a equipa treinada por Leonel Gomes, em plena evolução, agora sonha em alcançar os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

“Acabámos agora a época e foi uma época muito longa, que acabou agora no final do ano. Já começamos a pensar na próxima época e a tentar fazer o planeamento da melhor maneira possível, de maneira a tentar obter o máximo de pontos possíveis para subir no ranking mundial e apurar, quem sabe, para os Jogos de Paris 2024. Isso está sempre no nosso objetivo, o nosso grande e maior objetivo desde que iniciámos esse projeto, que é representar Portugal no maior palco do mundo que são os Jogos Olímpicos”, destacou Hugo Campos.

É público que os principais atletas do voleibol de praia português da atualidade têm uma inspiração não muito difícil de se fazer entender. João e Hugo querem seguir o caminho de Miguel Maia e João Brenha, dois dos melhores voleibolistas de praia portugueses de sempre –  com uma brilhante participação, nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, nos Estados Unidos, quando alcançaram o 4.º lugar. Para seguir os passos dos ídolos, muito trabalho está programado para 2023.

“Fico realmente muito contente por termos conseguido dar a volta por cima porque se me dissessem que a época 2022 ia correr assim tão quando no início do ano estava a correr tão mal eu não ia acreditar. Só temos que continuar a acreditar que o nosso objetivo é possível e se continuarmos a trabalhar como temos vindo a fazer realmente as coisas vão aparecer e acho que este ano é a demonstração que se nos mantivermos fiéis ao nosso trabalho e ao nosso treino diário as coisas vão acabar por correr bem”, afirmou João Pedrosa.

Foto: FPV

 

 

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