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Jorge Braz: “Não podemos agarrar-nos ao passado, mas sim olhar para a frente”Gala do Desporto 

Jorge Braz, selecionador nacional de futsal. Foto: FPF

Será difícil apontar outro treinador tão vitorioso em solo português nos últimos anos quanto Jorge Braz. Bicampeão da Europa, com o segundo título conquistado este mês frente à Rússia, e campeão mundial em título, o comandante da Equipa das Quinas foi este ano eleito o melhor do planeta na função que exerce, pela quarta vez consecutiva. Treinador desde 1997 e selecionador nacional desde 2010, Jorge Braz é o responsável pela melhor fase da história do futsal nacional.

Natural de  Edmonton, no Canadá, com dupla nacionalidade (é transmontano de coração), o timoneiro da equipa líder no ranking europeu é a terceira figura em destaque na série de perfis que a SportMagazine tem apresentado, com os cinco indicados como finalistas a “Desportistas do Ano” na categoria treinador. O prémio é oferecido pela Confederação do Desporto de Portugal (CDP) e será entregue na 25ª Gala do Desporto, que se realizará a 3 de março próximo no Salão Preto e Prata do Casino Estoril.

O primeiro perfil foi sobre Jorge Pichardo Fundora, seguido por Hélio Lucas (canoagem), e assim continuará, um por dia, até o domingo, com Lourenço França (ginástica) e Pedro Soares (judo).

Jorge Braz, antigo guarda-redes de futebol no Desportivo de Chaves, tem a modéstia de quem sabe que o sucesso só produz mais sucesso quando é alimentado. “Não podemos agarrar-nos ao passado”, disse-nos Jorge Braz, numa longa entrevista recente à SM. Apesar de acumular títulos dos mais importantes da modalidade no mundo, o treinador aponta sempre valores a melhores e aprimorar. Admite sempre: há ainda muito trabalho a fazer no desenvolvimento sustentado do futsal nacional.

“Ainda temos muito a fazer. A qualificação nas etapas iniciais é vital. Ainda não temos muitos treinadores devidamente qualificados para intervir nessas etapas iniciais da prática da modalidade. Quando falamos de juvenis e de juniores nos campeonatos nacionais, felizmente temos já bastantes treinadores de excelência. No entanto, nas bases encontramos de facto excelentes projetos, mas é ainda necessário qualificar mais a intervenção nessas etapas iniciais, nas escolinhas, nas academias, nos benjamins”, observa o exigente treinador, também responsável pelas equipas de formação na seleção nacional.

Foto: UEFA

Licenciado em Educação Física pela Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade do Porto, Jorge Braz acumula também o título  de mestre em Ciência do Desporto e de especialização em Alto Rendimento Desportivo. Para além da parte académica é considerado a maior referência nacional no cargo que exerce pelo que aqui consegue implementar. Consciente de que apenas o trabalho coletivo leva ao sucesso, o selecionador nacional recorda sempre a necessidade de uma boa estrutura de trabalho para todos os treinadores.

“É fundamental a formação e a qualificação dos nossos treinadores. Todo o processo de formação de treinadores, como a bolsa de treinadores, que frequentemente se vai aumentando. Vamos fazendo essa formação, tentando ter uma visão clara no que devemos apostar e o que deve ser prioritário, de acordo com a realidade do Futsal. Sempre foi nossa preocupação dizer que a melhor forma de treinar é escolher opções que estejam de acordo com a nossa realidade, de acordo com as nossas estruturas e de acordo com o que acontece nos nossos escalões jovens, na nossa prática feminina. E essas prioridades têm estado presentes ao longo dos anos na formação de treinadores”, detalhou Braz.

Homenageado no Palácio de Belém por ocasião de cada um dos grandes títulos conquistados, o selecionador nacional recebeu, a 7 de fevereiro último, do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, elogios pelo perfil de liderança.

“Falo em nome destes 14 atletas e tenho de dar uma palavra a este senhor: Jorge Braz. A forma como nos conduz, como nos prepara, e depois o lado amigo de quem tem uma palavra de carinho e motivação. Todos nós temos um grande carinho por este senhor. Devemos-lhe muito e ele faz mesmo parte da história de Portugal e à nossa história como atletas”, afirmou o representante máximo do Estado português.

Embora tenha alcançado o auge na carreira e recebido todos os maiores prémios e elogios pessoais, Jorge Braz parece longe de estar satisfeito. “É verdade que temos aumentado a sustentação do futsal mas ainda podemos evoluir muito. É refletir, avaliar tudo o que tem sido feito até agora, perceber o que podemos melhorar, reformular e continuar o rumo. Como eu sempre digo, não podemos agarrar-nos ao passado, mas sim olhar para a frente e tentar sempre melhorar e desenvolver cada vez mais o futsal”, pontua.

Para votar no melhor treinador do ano pode-se acessar o portal da CDP aqui.

Jorge Braz recebe os cumprimentos do presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Foto: Rui Ochoa/Presidência da República

 

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