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I Seminário de Saúde Mental no Desporto de Alta Competição decorreu em alto nível com atletas e especialistas no Fórum Lisboa

Foto: SM

O I Seminário de Saúde Mental no Desporto de Alta Competição teve lugar, na manhã desta sexta-feira, no Fórum Lisboa. O evento, organizado pela Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal (AAOP), em conjunto com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, conta com três mesas redondas, indicadas, respetivamente, para o pré-competição, a competição, e o pós-competição, ou seja, o pós-carreira.

O Seminário deu início, naturalmente, com uma sessão da abertura por parte de Luís Alves Monteiro, presidente da AAOP, que deu as boas vindas a todos os presentes, agradeceu à comissão e honra presente e introduziu o tema principal deste evento: a saúde mental dos atletas. Vítor Pataco, presidente da Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), também deu uma palavra de introdução à problemática.

Vítor Pataco, presidente do IPDJ. Foto: SM

O primeiro painel contou com a moderação de Inês Pinto, pedopsiquiatra, e com Martim Couto, atleta de ténis, Emanuel Couto, pai e treinador de Martim, e Paulo Barrigana, treinador de camadas jovens na modalidade de atletismo.

Emanuel Couto abordou a importância dos pais no processo dos atletas e o seu filho, Martim, destaca o conceito de saúde mental como sendo importante para manter o equilíbrio e a confiança. Num mote inicial, Paulo Barrigana afirma estar surpreendido, pela positiva, por se estar a olhar para a saúde mental.  Realçou ainda que os valores têm, ou deviam ter, mais impacto que qualquer medalha.

“Uma das coisas que faço com os meus atletas é estar sempre disponível para os ouvir (…) Ninguém acredita nos valores educativos e têm de ser para a vida. Caímos? Levantamos. É o prazer, é a brincar mas é a sério. Os pais por vezes, com a loucura das medalhas, não deixam o processo decorrer”, disse Paulo Barrigana.

Martim Couto fala ainda da incerteza que um jovem atleta acaba por ter ao longo do seu percurso, pois, por mais que se faça, ninguém garante. de facto, o sucesso do atleta. Isto porque há diversos fatores que podem levar a que algo não o caminho que o atleta pretende, tal como podem levar àquilo que se quer. No entanto, segundo o jovem atleta de ténis, há sempre essa incerteza e é isso que o inquieta a nível psicológico.

Primeiro painel. Foto: SM

Após o coffee break, o segundo painel, ligado ao tema da competição, subiu a palco com a moderação de Duarte Araújo, professor da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), e com a participação de Bárbara Timo, atleta olímpica de judo, Inês Henriques, atleta olímpica de atletismo, e Susana Gouveia, psicóloga da Cruz Vermelha.

Bárbara Timo inicia o debate elogiando o avanço da saúde mental no desporto, sendo um tema cada vez menos tabu e mais ouvido. Assume uma recente depressão, que conseguiu superar devido a profissionais, família e amigos. “É fundamental um desenvolvimento saudável da vida do atleta”, disse. Inês Henriques fala de equilíbrio. A atleta olímpica destaca o equilíbrio dado pelos pais no que à vida de atleta-estudante diz respeito.

“É uma luta constante. Já me sinto mais equilibrada e há vários fatores para nos sentirmos felizes. Essa é a parte psicológica, marchar e correr feliz e de sorriso no rosto”, afirmou.

Bárbara Timo descreve ainda o seu percurso, dizendo que as sucessivas derrotas no início da sua participação na alta competição, com 14, 15 anos, lhe fizeram bem, de certa forma, para ser a vencedora que é hoje. No entanto, antes as dúvidas eram maiores. Contudo, a judoca tem acompanhamento psicológico e meditação para um maior equilíbrio mental.

“É importante o auto conhecimento para saber onde vamos colocar a expectativa (…) é de facto importante fazer face ao medo, a grandeza vem de dentro e constrói-se todos os dias. Se vem de dentro, efetivamente só conseguimos que seja cada vez maior se sairmos da nossa zona de conforto. Só aí é que largamos as nossas carapaças e crescendo mais um pouquinho”, afirmou ainda Susana Gouveia, psicóloga da Cruz Vermelha.

Segundo painel. Foto: SM

Por fim, o pós-competição, ou seja, o final de carreira. Este tema foi moderado por Ana Bispo Ramires, psicóloga do Comité Olímpico de Portugal (COP), e contou com a participação de Vanessa Fernandes, atleta olímpica de triatlo, Tiago Vinhas, psiquiatra e ex-atleta de ténis de alta competição, e Analiza Silva, coordenadora do programa Champ4life da FMH.

Vanessa Fernandes aborda o seu percurso de uma forma menos positiva, afirmando que muitas vezes não sentia ajuda, decidindo, em 2017, procurar novas soluções para ela mesma.

“Tem sido o meu trabalho nestes últimos 5 anos. Mergulhar em toda a profundeza da minha história e em como me fui conduzindo na minha vida. Por muito que tenhamos a família e os treinadores, todos nós temos um papel no nosso percurso de vida”, afirmou.

O psiquiatra e ex-atleta, Tiago Vinhas, fala, tal como a maioria dos oradores, um pouco da sua vida de atleta, afirmando que o pós carreira era algo em que pensava constantemente. Destaca ainda o facto de que, num emprego dito ‘normal’, existe a reforma. Um atleta de alta competição, a partir do momento em que acaba a carreira, não tem qualquer apoio. “Por vezes acabar uma carreira de alta competição e entrar noutro papel pode levar a uma crise de identidade. Há aqui um fosso muito grande, esta parte da identidade leva o seu tempo”, diz.

Analiza Silva começou por apresentar o programa Champ4life, do qual é coordenadora. Programa este que se preocupa com o pós-carreira dos atletas que terminam a mesma, estando virado não só para a ajuda nutricional dos atletas, como também para a saúde mental e para o manter da atividade física por parte de quem termina a sua carreira em alta competição.

Terceiro e último painel. Foto: SM

O I Seminário de Saúde Mental no Desporto de Alta Competição terminou com a sessão de encerramento, que contou com o discurso de Maria de Belém Roseira. A ex-ministra da saúde realça o que o papel deste evento passa por bater os estigmas que ainda existem, nos dias de hoje, perante a saúde mental, sendo esta “tão importante quanto a saúde física”.

A presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Maria João Heitor, também apresentou as suas considerações finais. destacando os sacrifícios feitos pelos atletas de alta competição a todo o custo, que podem levar a problemas de saúde mental, como a frustração, a ansiedade, a depressão, entre outros. Este Seminário terminou então com um discurso final de Luís Alves Monteiro, presidente da AAOP, com agradecimentos a todos os presentes e um aplauso a todos os atletas olímpicos.

 

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