23 de Maio 2022 06:11
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Gastão Elias analisa o ténis em Portugal e revela meta de voltar ao top-100 mundialExclusivo 

Gastão Elias, tenista português. Foto: Federação Portuguesa de Ténis

Natural de Lourinhã, Gastão Elias alcançou o auge da carreira em 2016. Naquela altura, já se havia tornado o quinto tenista da história de Portugal a entrar no top-100 do ranking da ATP e chegava à posição mais alta da carreira, no 57.º posto. Atualmente número 216 mundial, o segundo mais bem classificado do país, o tenista português acredita que ainda pode voltar a voar alto. Em entrevista à SportMagazine, Gastão revelou que faz planos para regressar ao top-100 do mundo. Além disso, aos 31 anos, explicou um pouco da rotina de treinos, analisou o cenário do desporto em Portugal e o arranque da temporada 2022 – com destaque ao balanço positivo que fez sobre a participação no Australian Open, o primeiro Grand Slam do ano.

SportMagazine (SM) – Como funciona a rotina de treinos de um tenista de alto rendimento?

Gastão Elias (GE) – As minhas rotinas, obviamente que depende um pouco do período em que estou. Em períodos de competição, obviamente a carga diminui bastante, a não ser que perca muito cedo no torneio e tenha ainda vários dias para treinar até o próximo. Mas basicamente, durante a semana de torneio não fazemos grande coisa. Fazemos um tipo de físico mais de manutenção, alguns treinos mais específicos, treinos também à base de pontos para tentar simular o mais perto possível a competição. Tento jogar bastante com outros jogadores que tenham estilos diferentes durante a semana para adaptar-me ao que possa aparecer na competição. Mas fora da competição, quando tenho mais tempo para trabalhar, geralmente faço dois períodos, por volta de duas horas, e depois mais a parte física. Portanto, é basicamente isso.

SM – Como tenista referência em Portugal, como pode analisar o desenvolvimento deste desporto no país?

GE – Acho que estamos mais ou menos bem servidos em termos de estruturas e de organização. Acho que a Federação (Portuguesa de Ténis] também tem vindo a melhorar ao longo dos anos. Está muito bem estruturada. Isso é importante também para o desenvolvimento da modalidade. Infelizmente, não estou muito por dentro do que está a acontecer a nível nacional em Portugal no que diz respeito a torneios nacionais, ao ténis mais júnior, ao ténis mais novo, às crianças… Não sei como está o nível interno dos jogadores. Mas acredito que Portugal tem vindo a melhorar bastante se compararmos agora tudo o que temos e tudo o que fazemos, com dez anos, vinte anos atrás. Há muita diferença. Portugal está cada vez mais profissional e mais organizado no que diz respeito à nossa modalidade. Portanto é seguir nessa linha e esperar que daqui a alguns anos dê frutos e que cada vez mais vão aparecendo novos talentos em Portugal.

SM – O que Portugal precisa de trabalhar/mudar na sua estrutura para formar futuros tenistas de topo mundial?

GE – Não tenho conhecimento suficiente para saber o que é feito por Portugal inteiro. Mas tenho conhecimento, sim, do trabalho da Federação e do centro de alto rendimento e acho que eles têm vindo a melhorar ao longo dos anos. Estão a fazer um excelente trabalho. Obviamente, podem sempre melhorar. E acho que é importante também as crianças terem o apoio dos pais, sentirem que os pais apoiam, que estão atrás e querem ajudar e fazem tudo para ajudar os filhos. Acho que isso dá também muita confiança às crianças para mergulharem neste desporto a sério, sem ter dúvidas. Acho que é importante também ter uma boa mentoria. É importante as pessoas que têm conhecimentos consigam ajudar o mais possível os mais novos também. Portanto, acho que se pode fazer um trabalho interessante nessa área. A Federação talvez deva ir atrás de ex-jogadores, ou mesmo nós jogadores, que estamos no circuito, e podemos fazer coisas para ajudar os mais novos, para incentivar, motivar. Acho que passa um pouco por isso.

Gastão Elias esteve a um triunfo do quadro principal do Open da Austrália. Foto Elias/Instagram

SM – Feita essa análise sobre o ténis no país, gostaríamos de falar um pouco de si. Este ano o Gastão arrancou bem no Tour de Bendigo, mas um problema no ombro acabou por fazê-lo desistir da competição. Qual foi o sentimento naquela altura?

GE – Sim, comecei bem em Bendigo. Comecei até da melhor maneira, tive dois bons jogos. Tive uma boa vitória na segunda ronda contra o Blaz Rola [181.º], um jogador sempre complicado, forte e completo. E depois, sim, infelizmente, tive ali um problema no ombro que, pronto, eu acho que poderia talvez ter competido… Mas, como disse na altura, o meu objetivo principal era o Australia Open e queria estar a 100%, sem dores, e naquele momento eu achei melhor não arriscar e entrar para dentro do campo e sim dar um pouco de descanso e preparar-me da melhor maneira. Felizmente, acho que correu bem, fiz a escolha certa. É sempre chato ter que abandonar um torneio, mas era para o Australia Open que eu queria estar bem, estar preparado e fico feliz que correu tudo bem. Fiz três bons jogos e pronto, infelizmente acabei por perder na última ronda, mas considero que tenha sido uma boa digressão australiana.

SM – No Open da Austrália, novamente um bom arranque até a última ronda do qualifying. O Gastão chegou a estar a vencer o Timofey Skatov por 5-2 no segundo set, numa altura em que parecia bem encaminhado para construir a reviravolta, que acabou por não acontecer. Sentiu-se triste por não ter conseguido avançar à fase principal?

GE – Sim, obviamente muito triste. Gostaria de ter ganho o encontro. O [Timofey] Skatov [255.º] também jogou bastante bem, sólido do início ao fim. Houve ali algum momento no segundo set que ele baixou o rendimento e eu aproveitei, passei à frente. Tive 5-2 (40/15), mas pronto, ele jogou bem também nessa altura. Voltou a subir o nível. Tive alguma dificuldade em contrariar o estilo de jogo que ele estava a fazer. Me deixa um bocadinho triste, mas ao mesmo tempo, pronto, fiz o que podia. Fico triste de ser também o segundo Grand Slam consecutivo que eu perco na última ronda. No US Open estive até bem mais perto de entrar no quadro do que desta vez, mas são coisas que temos que cuidar e que acontecem bastante no circuito. Cá estaremos nós para o próximo Grand Slam da temporada.

SM – O Gastão hoje tem 31 anos e algumas temporadas pela frente em bom nível. Quais são seus objetivos a curto prazo, especialmente para a temporada 2022? E a longo prazo, já pensa em Paris 2024?

GE – A curto prazo, um dos objetivos que tenho obviamente é tentar manter-me saudável o mais possível, tentar competir o mais possível sem dores, cuidar do corpo e esse, pronto, é meu objetivo não só para este ano, mas para todos os anos em que compito. E também o objetivo neste momento a curto prazo é subir um pouco o ranking para começar a entrar nos ‘qualis’ dos ATPs e depois talvez um objetivo mais a longo prazo, mas que não deixa de ser a curto prazo, que é voltar a entrar no top-100, acho possível. E Paris 2024, claro, é possível. Já competi no Rio 2016, portanto sei que posso alcançar esse objetivo e acho que tem grandes possibilidades. Lá está, mantendo o meu corpo em boas condições e sem lesões e poder competir o ano inteiro sem problemas físicos é com certeza uma das coisas que vai me ajudar a alcançar esse objetivo.

Gastão Elias foi campeão do Oeiras Open 4 do ano passado. Foto: Federação Portuguesa de Ténis

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