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De Cuba para Portugal: Jorge Pichardo e a paixão incondicional pelo atletismoGala do Desporto 

Pedro Pichardo venceu a final do triplo-salto de Tóquio 2020 com a marca de 17,98 metros. Foto: Pichardo/Facebook

Pela quinta vez na história, ouviu-se a Portuguesa nos Jogos Olímpicos. Era por volta das 10h45 do dia 5 de agosto de 2021, quando o país inteiro parou, a milhares de quilómetros de Tóquio, para encher o coração de orgulho ao ver a bandeira de Portugal no lugar mais alto do pódio e o ouro ao peito de Pedro Pichardo. Aquela medalha, no entanto, teve uma figura central que ficou, como de hábito, a segundo plano naquele momento: o treinador.

A SportMagazine inicia a partir desta quarta-feira até o próximo domingo, uma série de perfis com os cinco indicados como finalistas a “Desportistas do Ano” na categoria treinador. O prémio é oferecido pela Confederação do Desporto de Portugal (CDP) e será entregue na 25ª Gala do Desporto, que se realizará a 3 de março próximo no Salão Preto e Prata do Casino Estoril.

A nossa primeira figura em destaque é Jorge Pichardo Fundora. A série seguirá com a seguinte sequência, uma por dia, com: Hélio Lucas (canoagem), Jorge Braz (futsal), Lourenço França (ginástica) e Pedro Soares (judo).

Cubano e pai do campeão olímpico Pedro Pichardo, Jorge também foi atleta até aos juvenis, de salto em altura, de triplo e comprimento. Tornou-se um dos treinadores mais respeitados em Cuba. Levava uma vida comum na profissão no seu país até o dia em que Pedro entrou em rota de colisão com a federação de atletismo local, em 2014, por não o deixarem continuar a trabalhar com o progenitor. O atleta acabou por ser castigado.

Separados no trabalho, pai e filho viram o desempenho cair por terra. E pior: com a saúde mental abalada, vieram as lesões. Pedro e Jorge afirmam que a federação cubana queria obrigar o atleta a treinar até lesionado. Foi quando o pai deixou Santiago e foi então até Havana para treinar o filho às escondidas. Com a descoberta, Pedro mais uma vez foi penalizado e Jorge impedido de exercer a profissão de treinador.

“O que se passou em Tóquio foi uma vingança de tudo o que me fizeram em Cuba. Em 2014, chegaram mesmo a sancioná-lo por seis meses e cumpriu dez meses sem saltar. A mim despediram-me do trabalho, disseram que não estava capacitado para trabalhar com ele e tive de ir para o basebol. Disseram que eu ali já não estava capacitado, que eu tinha de sair do INDER (Instituto Nacional do Desporto, Educação Física e Recriação). Foi essa a resposta: o ouro”, afirmou Jorge, em entrevista minutos após a mais importante conquista da carreira.

Jorge Pichardo ao lado do filho, o campeão olímpico Pedro Pichardo. Foto: Pichardo/Facebook

Medalha de ouro que veio cinco anos de uma relação conflituosa com os gestores cubanos. A gota de água surgiu nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Pedro Pichardo sofreu uma lesão no tornozelo e a federação queria obrigá-lo a competir. Ameaçaram-no mais uma vez com um castigo. O saltador recusou-se a competir no Rio de Janeiro. E, em 2017, desertou do país durante um estágio da seleção cubana  na Alemanha. Na altura, o Benfica conseguiu contratar pai e filho. Foi quando nasceram as cores lusas sobre os peitos cubanos. Uma história de absoluto sucesso.

“Portugal foi o país que escolhemos para competir mas tínhamos propostas de vários países. Portugal foi a nossa escolha. Quando chegámos a Portugal, receberam-nos bem, deram-nos os recursos, os meios, toda a dedicação e estão aí os resultados. Escolhemos Portugal por causa do clima, que no verão é parecido com Cuba, e pela tranquilidade. É uma país tranquilo e a nós o que nos convém é a tranquilidade. Foi um dos fatores que nos fez escolher Portugal. E escolhemos bem, não? Hoje vemos que tem condições, recursos, muito mais do que em Cuba”, destacou Jorge em Tóquio.

A indicação ao prémio de melhor treinador do ano em Portugal chegaria como consequência de um ano de 2021 de sonho, com as conquistas das duas principais competições do ano. A 7 de março, em Torun, na Polónia, o título europeu em pista coberta, atingindo na final os 17,3 metros. No Japão, Pichardo venceu com uma marca de 17,98 metros, mais 41 centímetros que o 2.º classificado, Zhu Yaming.

Jorge Pichardo agora sonha em ver o filho fazer história. Ambiciona o recorde mundial no triplo-salto. Pichardo tem como a melhor marca 18,08 m. Jorge afirmou que espera vê-lo alcançar os 18,60m – bem acima dos 18,29 do inglês Jonathan Edwards, marca inalcançável desde 1995. “Quando bater o recorde mundial? Nem sei o que faço. Mas espero que seja ainda esta temporada, quanto mais rápido melhor”, afirmou Jorge Pichardo, um dos candidatos a treinador do ano em Portugal.

Para votar no melhor treinador do ano pode-se acessar o portal da CDP aqui.

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