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Carlos Portas, a prática e a evolução do Aikido em Aveiro: “Temos que nos reinventar”Exclusivo 

Carlos Portas, professor de Aikido. Foto: Federação Portuguesa de Aikido

Com graduação de 6º dan, Aikikai recomendada por Ulf Evenas Shihan e atribuída pelo Hombo Dojo Aikikai Tokyo, Carlos Portal é uma referência na prática do Aikido em Portugal. Com meio século de vida dedicado às artes marciais e desde 1984 integrado ao Aikido, o professor foi a principal atração do evento promovido pela Takemusu Aiki Portugal, o AikInverno 2022, que decorreu este mês em Aveiro. Na ocasião, Carlos Portas recebeu a nossa reportagem para uma conversa sobre o percurso pessoal e geral do Aikido em Portugal.

Sensei Carlos Portas é possível explicar quando e como surgiu o Aikido na sua vida e de que forma a prática de outras artes marciais influenciou a sua escolha?

Carlos Portas (CP) – Foi num lindo dia em Cascais, no Dojo do Mestre Georges Stobbaerts, que eu me enamorei pelo Aikido. A data precisa não me ocorre, talvez em 1978. Lembro que era um dia especial para o Dojo de Aikido de Cascais e vários Mestres de outras Artes Marciais foram convidados a participar. Eu tive a sorte de estar em Lisboa e acompanhei Sensei Vilaça Pinto que era o meu professor de Karaté Shotokan na altura. Nunca tinha visto nada igual, uma beleza de movimentos precisos, dinâmicos e harmoniosos. E por ter gostado tanto, comecei então a pesquisar e a ficar muito interessado pelo conceito do Aikido, sobretudo por dele se dizer ser uma mais valia para a sociedade.

Pode explicar, tanto quanto possível de uma forma breve, o seu percurso no Aikido desde essa altura?

CP – Pois continuei fiel ao Karaté, vivia em Aveiro e não tinha como aprender o Aikido, mas na minha mente manteve-se esse desejo em aprender. E foi então que surgiu mais um lindo dia na minha vida quando já vivia há dois anos em Estocolmo que tive conhecimento por um anuncio no jornal de uma apresentação de Aikido pelo Sensei Takeji Tomita. Um espetáculo, soberbo! E fez então o clique, e disse para mim, é isto mesmo o que eu procuro para a minha vida. No fim da apresentação falei com o Mestre e pedi para ser seu aluno. Não foi fácil, mas com alguma persistência lá fui aceite. Organizei a minha sucessão onde treinava e dava aulas de karaté e assim me dediquei à aprendizagem do Aikido com um Mestre extraordinário, Takeji Tomita Sensei.

Como descreve a sua ligação ao Sensei Takeji Tomita e consegue contextualizar a sua importância no Aikido de uma forma geral?

CP – Sensei Takeji Tomita foi e será para mim o único Mestre de Aikido que tive. Recebi seus ensinamentos todos os dias até ao meu regresso a Portugal, em 1993. Depois disso ora ia eu ter com ele a Estocolmo, ou a onde estivesse, ou vinha o Sensei a Aveiro, isto até ao ano 2006, ano em que nos separamos por motivos inesperados e foi então que continuei o meu caminho no Aikido independente e autónomo assumindo toda a responsabilidade da escola por mim formada, a Takemusu Aiki Portugal Mussubi Dojo Aikido.

Pode explicar como e quando lhe foi atribuído o 6º dan e de que forma alterou as suas responsabilidades na prática quotidiana?

CP – Sim, aumentou a minha responsabilidade e reforçou o sentido para a divulgação e promoção do Aikido na nossa sociedade, em termos práticos obriga a uma maior atenção e lealdade na pratica diária. O meu grau de 5º Dan, atribuída por T.Tomita Sensei, já datava de 1999. Então, por ordem de toda a devoção, divulgação e ensino do Aikido a mais de 600 alunos em 20 anos, não só em Aveiro como em Coimbra, Porto, Maia e Gaia,  Sensei Ulf Evenas 7º Dan, com quem tenho vindo a colaborar regularmente, propôs-me à Aikikai para a graduação de 6º Dan o que foi atribuída e registada a 10 Janeiro de 2021 pelo Hombo Dojo de Tokyo .

Na sua opinião, como caracteriza a Takemusu Aiki em relação às restantes escolas de Aikido?

CP – Aikido é Aikido, o resto seria comparar pessoas, e cada pessoa é única. A primeira menção a Takemusu Aiki aparece em “Takami-mi-musubi-no-kami”, um dos cinco Kamis ou “Entidades Divinas” que nasceram no Takama-no-hara ou seja “o Pleno do Alto Paraíso” na mitologia Shinto. O fundador do Aikido, nos seus últimos anos, refere a dimensão de Takemusu Aiki como sendo “A Invencível Arte Marcial do Japão”. Quando analisamos a expressão “Takemusu Aiki”, repara-se que assenta em conceitos claramente definidos. “Take”, que se representa com o mesmo carácter de “Bu”, significando coragem ou bravura (valor marcial), embora contenha igualmente o conceito de “parar o ataque”, ou, por outras palavras, não lutar. “Musu”, que é a contração da palavra “Musubi”, indica criação e crescimento, com a ideia de conexão, ligação de todas as coisas. “Aiki” é a união da energia que cria o balanço e a integração. Dai que “Takemusu Aiki” possa ser traduzido como o princípio vigoroso, criativo e integrado, capaz de desenvolvimentos e variações ilimitadas. Takemusu Aiki não é nenhum estilo em particular, nem sequer de nenhum estilo tradicional, os princípios de “Takemusu” são inerentes a todo o Budo Japonês.

Como caracteriza a prática e a evolução do Aikido em Aveiro e também, se possível, em Portugal e como, pela sua experiência, é manter um dojo tradicional fora dos dois principais centros urbanos nacionais?

CP – Como tudo na vida, há altos e baixos, neste momento é um período muitíssimo baixo, mas estou esperançoso que um dia subirá novamente. Temos que nos reinventar para que as pessoas possam ter consciência de que o Aikido é maravilhoso, um processo lógico dentro de um conceito marcial moderno e adaptado à nossa sociedade onde a competição está na evolução de si próprio, para que possamos viver a vida melhor e unidos numa grande família. Assim como as palavras do Fundador O’Sensei Morihei Uechiba, “se todas as pessoas praticassem Aikido haveria paz na Terra”.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Carlos Portas

    Fevereiro 18, 2022 at 9:39 am

    Muito obrigado pelo excelente trabalho !

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