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Bruno Souza: “O desporto de base é um dos grandes responsáveis pela excelência na formação de atletas”Exclusivo 

Bruno Souza, secretário Nacional de Desporto de Alto Rendimento do Brasil. Fotos: Secretaria Especial do Desporto/Brasil

Bruno Souza, secretário Nacional de Desporto de Alto Rendimento do Brasil, integrado na Secretaria Especial do Desporto (chefiada por Marcelo Reis Magalhães) do Ministério da Cidadania do Brasil, explica à SportMagazine como está organizado o apoio ao desporto num país com mais de 150 medalhas olímpicas. O governo federal mantém, desde 2005, um dos maiores programas de patrocínio individual de atletas no mundo.

Abaixo, pode-se ler uma parte da entrevista publicada originalmente na edição número 1 da nossa revista. A entrevista completa com Bruno Souza, ex-jogador de andebol, está disponível para assinantes. Se ainda não é, saiba como fazer para integrar o nosso grupo de leitores e colaborar com o nosso projeto.

SportMagazine (SM) – O planeamento da carreira desportiva a longo prazo tem, cada vez mais, uma dupla exigência para os atletas, que é o rendimento desportivo e a formação escolar paralela, até como forma de assegurar que estes atletas têm um pós-carreira profissionalmente adequado. De que forma, no Brasil, os dois sistemas, desportivo e escolar, se têm ajustado às necessidades dos atletas-estudantes num contexto de alto rendimento?
Bruno Souza (BS) – Não há como falar em desporto sem falar de educação. Porém, ainda estamos trabalhando para desenvolver políticas públicas que sejam fruto de um maior envolvimento entre as duas áreas. Ao longo dos anos avançámos em relação à regulamentação da Educação Física escolar, o que já representa um grande passo. Apesar desse avanço, ainda há um grande desejo de desenvolver um programa de acompanhamento estudantil que garanta aos atletas uma perspetiva melhor de futuro em relação à transição das suas carreiras.

SM – Tem falado publicamente na necessidade de desenvolver o desporto de base estudantil, o desporto na escola. Em que situação está o Brasil nesta área e que sementes estão a ser lançadas para o futuro?
BS – O Brasil é um país bem populoso, tropical e cheio de jovens talentosos. Temos um potencial enorme em revelar atletas das mais diversas modalidades. Os investimentos na área estão a crescer e o desporto de alto rendimento, com qualidade, tem alcançado um número maior de crianças e adeptos com o passar dos anos. Temos uma preocupação legítima com o desporto de base, que é um dos grandes responsáveis pela excelência na formação de atletas. Quando falamos em base, falamos em equipa multidisciplinar, acompanhamento académico, investimento em infraestruturas e equipamentos. Conseguimos firmar várias parcerias para o desenvolvimentos de núcleos de desporto de base para o Alto Rendimento e estamos a trabalhar para ampliar a gama de modalidades e localidades contempladas. É um desafio levar não só a educação, mas também o desporto de qualidade para todo o território brasileiro.

SM – O Brasil tem mais de 150 medalhas olímpicas, reflexo de um nível sustentado no alto rendimento. Em Tóquio estiveram 310 atletas em 33 modalidades. Que modelo de organização tem assegurado esta consistência?
BS – O Alto Rendimento brasileiro é organizado através de um sistema integrado de entidades ligadas à Secretaria Especial do Desporto. Esse sistema é composto pela Confederação Brasileira de Desporto Escolar, Confederação Brasileira de Desporto Universitário, Comité Brasileiro de Clubes, Comité Paralímpico Brasileiro e Comité Olímpico do Brasil. O poder público age, não só como um financiador, mas também como um articulador, e trabalha com afinco para garantir a adoção de boas práticas de governança. O relacionamento entre esses órgãos e entidades, quando realizado de forma estratégica, consegue atender às demandas das diversas esferas do ambiente desportivo.

SM – Apesar da pandemia, os resultados olímpicos brasileiros em Tóquio ultrapassaram os do Rio de Janeiro. Ganharam mais medalhas. Que conclusão se pode tirar desta aparente resiliência em tempos tão difíceis?
BS – O Mundo passou por um período extremamente crítico durante a pandemia que teve início em 2019. Atletas foram fortemente afetados pelo isolamento, pois viram-se repentinamente impedidos de darem continuidade aos seus treinos, e toda a programação, seja ela de curto ou longo prazo, se perdeu. O ciclo olímpico de quatro anos, de repente passou a ter cinco, e essa programação foi toda perdida. A adaptação à nova realidade teve que ser feita com treinos online e treinos em casa, longe de estruturas adequadas, mas com garantia de continuidade. O principal fator de sucesso foi a resiliência e a força de vontade dos atletas e das suas equipas. E sabemos que essa é uma forte característica dos brasileiros.

SM – Em que medida os Jogos Olímpicos do Rio dinamizaram a prática desportiva no Brasil?
BS – Os grandes eventos mudam o olhar sobre os países-sede, não só de fora para dentro, mas em especial de dentro para fora. Em oportunidades como estas, os investimentos públicos e privados no desporto são incrivelmente impulsionados. Pudemos contar com mais recursos vindos do Governo Federal nos Jogos do Rio, o que contribuiu para o desenvolvimento de estruturas e garantia de manutenção do legado olímpico. Esse cenário faz com que a população, de forma geral, se envolva mais com os temas ligados ao desporto, aumentando o número de praticantes e o próprio interesse mediático. Como um ciclo, onde um fator impulsiona o outro.

BRUNO SOUZA, medalha de ouro e prata em Jogos Pan-Americanos, atleta olímpico em Atenas-2004 e Pequim-2008, integrante da seleção nos mundiais de 1997, 1999, 2001 e 2003 e eleito o terceiro melhor jogador de andebol do mundo em 2003 pela Federação Internacional de Handebol (IHF), é o Secretário Nacional de Alto Rendimento (SNEAR) da Secretaria Especial do Desporto (chefiada por Marcelo Reis Magalhães) do Ministério da Cidadania do Brasil. Nascido em Niterói em 1977, Bruno Souza chegou à SNEAR com o respaldo da longa carreira no alto rendimento como atleta de destaque da seleção brasileira e por catorze anos de carreira na Europa, após a qual participou do programa Seconde e do Comité Olímpico Internacional (COI) como subdiretor operacional da Vila Olímpica nos Jogos de Londres-2012 e, no Brasil, foi secretário municipal de Desporto e Lazer de Niterói de 2014 a 2016. Também participou da Comissão Nacional de Atletas (CNA) no biénio 2016/2017.

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