18 de Maio 2022 07:38
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Bruno Gonzalez: “Praticar o Aikido pelo ‘amor à arte’ é o valor essencial que se deve viver e partilhar”Exclusivo 

Foto: Bruno Gonzalez/Site oficial

Bruno Gonzalez, uma das referências do Aikido francês, esteve este mês em Portugal para um estágio realizado na Associação TenChi Coimbra. Professor da Escola de Artes Marciais Cercle Tissier, o 6.º Dan Aikikai é conhecido pela sua prática dinâmica e com aplicação de armas. Bruno Gonzalez, 50 anos, nascido em Bordéus, conversou com a nossa reportagem* sobre o regresso a Portugal após a pandemia e sobre o seu caminho nas artes marciais.

SportMagazine (SM) – Como e quando o Aikido apareceu na sua vida e qual é a sua motivação para tantos anos de prática contínua?
Bruno Gonalez (BL) – Conheci Aikido aos 15 anos. Um dia, um amigo da escola falou-me sucintamente sobre o Aikido e fui observar a uma classe. Estudantes em hakama praticavam em suwari waza… que estranho! O lado exótico da disciplina intrigou-me certamente, mas o que me motivou principalmente foi o ambiente de estudo ligado ao rigor, sobriedade e tradição na prática. Acho que a complexidade desta arte e todo o estudo necessário manteve o meu entusiasmo intacto todos estes anos.

SM – Como é que o Sensei Christian Tissier apareceu no seu percurso e como descreve a importância do Sensei Tissier para o Aikido em França e também na Europa?
BL – Depois do bacharelato decidi intensificar a minha prática mudando-me para Paris. O Cercle Tissier pareceu-me o lugar certo para isso. Foi por volta dos 19 anos que comecei a minha formação em Vincennes com o Christian. Graças aos seus anos no Japão, Christian desenvolveu uma forma moderna e dinâmica de Aikido. Além disso, graças às suas qualidades pedagógicas, Christian levou a riqueza e a subtileza da disciplina para um vasto número de pessoas no mundo inteiro.

SM – Além disso, pode identificar as razões do sucesso do Aikido em França em termos de quantidade e qualidade dos praticantes?
BL – França sempre teve uma importante tradição de artes marciais, seja para judo, karaté, boxe, Aikido… A presença e influência de grandes mestres franceses que marcaram a história das artes marciais no país e, em particular, do Aikido é, sem dúvida, o fator determinante para o sucesso desta disciplina.

SM – Na sua opinião, que responsabilidades e obrigações vieram com o 6º dan Aikikai recebido das mãos de Sensei Tissier?
BL – Dependendo das capacidades de cada um, seja o 6º dan ou não, parece-me que a honestidade e o entusiasmo são os valores essenciais que se devem viver e partilhar. Por outras palavras, praticar o Aikido pelo “amor à arte”. Não me lembro quem disse: “Ama a arte sim mesmo e não a si mesmo na arte”

SM – Como surgiu a sua ligação a Portugal e à Associação de Clubes Aikido Ten-Chi e quais foram as suas primeiras impressões de praticantes portugueses?
BL – O Henrique Martins, da Associação de Clubes de Aikido TenChi, através de Camilo Carneiro, contactou-me há alguns anos. Descobri, então, um grupo de pessoas muito acolhedoras, com um sorriso largo, curiosas e atenciosas. É um prazer partilhar a minha prática com todos eles.

SM – Há dois anos, o seu curso em Coimbra foi o último realizado antes do primeiro confinamento que condicionou a vida de todos. Sente que este regresso a Portugal representa de alguma forma a retoma da prática com pequenas restrições?
BL – No que diz respeito aos seminários, sim. Não tem sido um momento fácil para Aikido. Todos os professores fizeram o seu melhor de acordo com as circunstâncias para manter o contacto com os alunos. Mas depois de tanto distanciamento, agora é importante renovar o contacto no sentido mais amplo do termo, sentindo novamente uma mão cheia de alegria no tapete.

*Esta entrevista foi realizada com a colaboração da Federação Portuguesa de Aikido.

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