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Bronze no Mundial, Norberto Mourão agora planeia defender o ouro no Europeu: “Tenho o sonho de um dia bater o recorde”Exclusivo 

Norberto Mourão conquistou a medalha de bronze no Mundial no Canadá. Foto: FPC

Poucos dias após conquistar, em Halifax, no Canadá, a medalha de bronze na classe VL2 dos Campeonatos do Mundo de canoagem, o atleta paralímpico Norberto Mourão já está pronto para o próximo desafio. Na próxima semana, o atleta de 41 anos, mais do que defender a medalha de ouro conquistada no último Campeonato da Europa, revelou que sonha em bater o recorde da competição continental. Os Europeus irão decorrer em Munique, na Alemanha. Portugal terá quatro representantes na paracanoagem.

Norberto Mourão vem, desde 2019, de uma sequência de grandes resultados internacionais. Conquistou a medalha de bronze nos Europeus e a prata nos Mundiais de 2019; no ano passado, após a pausa em virtude da pandemia causada pela Covid-19, sagrou-se campeão europeu e conquistou o bronze nos Jogos Paralímpicos e nos Mundiais.

O paracanoísta natural de Quintelas, na freguesia de Mondrões, Vila Real, afirmou à SportMagazine que ficou satisfeito com a medalha de bronze no Canadá. E explicou as razões.

“A participação foi muito positiva, tivemos como objetivo a integração no projeto no nível em que estava, o nível um. Para isso, precisava de alcançar as medalhas, era um objetivo pessoal. Embora o primeiro objetivo fosse entrar na final, dar o máximo pelo nosso país, honrar as nossas cores e sair de lá satisfeito. Por isso, a medalha de bronze foi extraordinária. Não era possível chegar aos outros dois lugares porque esta é uma época de mais descanso, a seguir a um ciclo olímpico desgastante, por isso nesta época em que tivemos menos treino conseguir manter o mesmo nível é extraordinário”, avaliou.

Na ocasião, Norberto Mourão terminou a competição mundial com a marca de 53,26, a 1,59 do brasileiro Igor Tofalini, que bateu o compatriota Fernando Rufino por 33 centésimos de segundo. Mourão, por sua vez, ficou à frente do espanhol Higinio Rivero (53,67) por escassos 41 centésimos. Outro representante nacional na competição, Alex Santos terminou em quinto nos 200m KL1, com o tempo de 53,86 segundos.

“O nível dos atletas está alto, já que os resultados alcançados, assemelham-se para já, ao ano de 2021. O Alex subiu uma posição do Mundial de 2021, de 6.º para 5.º lugar, e o Norberto, apesar de manter o bronze, venceu ao atleta norte-americano que alcançou prata em Tóquio, e o espanhol que no Mundial da Dinamarca roubou-lhe o 2.º lugar”, observou Ivo Quendera, selecionador nacional de paracanoagem.

“Em ano pós-Jogos Paralímpicos, os atletas da Equipa Nacional integrados no projeto paralímpico, alinharam o seu trabalho da presente época para uma recuperação do ciclo de Tóquio, e simultaneamente criar bases para o Ciclo de Paris. O volume não baixou, mas a intensidade foi menor, no sentido de criar mecanismos de recuperação em todos os aspetos que contribuem para a performance desportiva. É nesta fase que alteramos e melhoramos adaptações, experimentam-se novas ou diferentes modelos de embarcações e tamanhos ou modelos pagaias, e acima de tudo avaliam-se aspectos biomecânicos e correções técnicas e táticas”, explicou Ivo Quendera.

Campeonato da Europa

Portugal agora prepara-se o próximo desafio na paracanoagem: os Europeus. Além de Norberto Mourão (VL2) e Alex Santos (KL1), somam-se à equipa nacional Floriano Jesus (KL1) e Hugo Costa (KL2).

Principal atleta da modalidade nacional, Norberto Mourão afirmou que espera defender a medalha de ouro, bem como quebrar o recorde continental, que pertence ao alemão Ivo Kilian (52,992). Ano passado, quando foi campeão, o português obteve a marca de 53,437 segundos – seu recorde em europeus. O melhor tempo da vida do canoísta luso, entretanto, foi de no Mundial de 2019, numa eleminatária, quando alcançou a marca de 52,400, portanto, abaixo do recorde europeu.

“As expetativas são muito altas, o nível está muito forte. No Mundial, os três melhores europeus, eu, o espanhol e o húngaro ficámos separados por menos de um segundo. Isso indica o nível dos atletas europeu e vai ser uma competição muito bonita e vamos todos estar numa pista que ninguém conhece, não sabemos o que vamos encontrar. Vai ser uma prova muito boa. Eu quero logicamente defender o título alcançado no ano passado. Tenho outros objetivos, tenho o sonho de um dia bater o recorde europeu e espero que, se as condições forem as ideais, é um sonho que eu tenho. Mas, acima de tudo, ir com a segurança que o Mundial nos deu, chegar lá, ir a final e dar o melhor por Portugal”, disse Mourão.

Ivo Quendera, por sua vez, trouxe um panorama das expetativas voltadas para a equipa nacional, que segundo ele “está focada nas finais, seja no KL1 e KL2, seja na VL2”. Entretanto, o treinador ressaltou que “nunca gostamos de prometer medalhas, mas prometemos a defesa das cores nacionais e a luta pelos melhores resultados possíveis”. Ele falou sobre os quatro representantes de Portugal.

“No caso do Hugo [elemento mais novo], irá tentar alcançar uma Final A, sendo até agora nunca consegui passar além da B. O Floriano pretende atingir a Final A, lutando pelos seis primeiros lugares, assim como o Alex, que tendo como base os resultados na Taça do Mundo e Mundial deste ano, lutará pelas medalhas”, destacou, a completar sobre o seu atleta, Norberto Mourão.

“O Norberto, apesar de ter o título Europeu para defender, e o resultado do Mundial ser auspicioso [foi o único europeu no pódio na classe VL2], apresenta adversários de valor que irão lutar pelas medalhas, e, portanto, será uma luta renhida. Não posso deixar de salientar, que alguns destes atletas, irão representar a equipa nacional no Mundial de Maratonas, a realizar em Ponte de Lima, este ano no final de setembro”, concluiu Quendera.

Norberto Mourão ao lado de Ivo Quendera. Foto: Norberto Mourão/Instagran

 

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