Leiria – Com um público composto por dezenas dos principais treinadores de natação do país, arrancou na manhã deste sábado o 45.º Congresso da APTN, que decorre no Instituto Politécnico de Leiria (Escola Superior de Educação e Ciências Sociais – ESECS). O evento acontece até o domingo com cerca 400 inscritos, 60 convidados e mais 14 oradores autopropostos numa extensa programação.
O congresso anual da Associação Portuguesa de Técnicos de Natação (APTN), que este ano conta com o apoio institucional da SportMagazine, arrancou com as tradicionais mensagens de boas-vindas do presidente da instituição, o professor Aldo Costa. “Estou convicto que é o melhor congresso técnico do mundo na área da natação”, afirmou a anunciar e assinar um protocolo de colaboração com Ana Dâmaso, vice-presidente da Portugal Activo.
Em seguida, as atividades que regressaram ao formato exclusivamente presencial após dois anos (um em online e outro híbrido), passaram a ser divididas em dois auditórios em simultâneo. No “A”, ocorreu a Sessão A1 com o tema “Abandono e Persistência na Natação: o que sabemos e para onde queremos ir?”. O debate foi moderado pelo professor Raul Antunes (ESECS), com conferência que teve à frente o professor Diogo Monteiro (ESECS, IPL).
No auditório B, o tema em questão foi “Que tendências e boas práticas de comunicação e marketing para as nossas organizações desportivas?”. A moderação foi realizada pelo diretor executivo da SportMagazine, César Santos. Compuseram a mesa redonda o treinador e comentador Nuno Albuquerque (Swim Channel Portugal), o jornalista Miguel Candeias (Jornal A Bola), Joaquim Sousa (Chlorus) e Susana Costa (Clube Fluvial Portuense).

Foto: SM
No encontro sobre as práticas de comunicação e marketing, foi questionado aos convidados sobre as estratégias e mecanismos que podem ser utilizados para que a natação tenha mais espaço na mídia. Um player em especial foi colocado como essencial para o momento da modalidade: Diogo Ribeiro, grande destaque da equipa nacional com medalha no Campeonato Europeu Sénior e nos Mundiais Júnior.
“No contexto social e educativo, notamos que há um interesse das pessoas que as crianças saibam nadar. No Clube Fluvial, por exemplo, temos filas de espera o que realmente aponta esse interesse. No contexto desportivo e midiático, acho que a natação ainda sofre um bocadinho das outras modalidades amadoras numa luta inglória com o futebol. O fenómeno Diogo Ribeiro contribui para modalidade ser mais falada, mas é algo momentâneo e pontual. Não há um acompanhamento dos meios, à exceção daqueles mais específicos. Penso que isso é uma dificuldade transversal a todas as modalidades amadoras”, observou Susana Costa.
Joaquim Sousa, por sua vez, destacou que um evento como a que estava a falar era, por exemplo, um caminho para que novas perspetivas possam ser discutidas. “Parabenizou APTN pela oportunidade de abrir um debate sobre a comunicação e a discussão sobre as questões relacionadas à área”, começou por dizer, tratando a iniciativa como inédita.
“Relativamente à visibilidade, tudo tem a ver com os resultados desportivos. E o Diogo Ribeiro, temos que aproveitar o fenómeno de resultados para divulgar ainda mais a natação. Também há bons resultados na natação artística. A questão do futebol que andamos a bater a cabeça ao lugar que tem nos órgãos de comunicação social, não devemos olhar isso como o problema, mas olhar para nós e perceber o que podemos fazer para termos mais notícias. e isso passa por mais resultados desportivos, se tivermos, vamos ter mais mídia”, avaliou.
Experiente jornalista do jornal A Bola, com cobertura de inúmeros campeonatos mundiais, Miguel Candeias observou a falta de uma periodicidade mais intensa das competições de natação como um ponto que dificulta a cobertura mais forte. “Por exemplo, a última grande competição de natação que tivemos foi o Mundial em que o Diogo Ribeiro fez o que fez. O problema natação não é cíclica, não há todos os fins de semana”, destacou.
“O futebol vende. Quando se mete o futebol e o clubismo sobretudo, o jornal vende. O vosso campeonato [a referir-se à natação] não é o futebol, são as outras modalidades. Há federações que trabalham muito bem e há outras que não trabalham, mas têm resultados. o Diogo [Ribeiro] deu uma grande ajuda a natação. Mas os leitores de natação do jornal são cerca de 1%. É importante quando as notícias se refletem nas vendas”, admitiu Candeias.
Técnico de natação, comentador da RTP e colunista do Swim Channel Portugal, Nuno Albuquerque deu uma nota sobre o que pode ser feito para que a natação tenha maior atenção dos órgãos de comunicação social.
“As associações e clubes têm que ter um plano estratégico de comunicação e que não têm. Em Portugal, há quem faça muito bem, a exemplo da Federação Portuguesa de Futebol, do Comité Olímpico de Portugal, o Comité Paralímpico de Portugal, que começou a aproximar-se, e é absolutamente essencial com ou sem o Diogo Ribeiro, o Miguel Nascimento ou Tamila Holub, que isso seja feito. Eles não merecem o pouco que têm”, afirmou.
Em comum aos especialistas em comunicação, apontaram ainda problemas do cotidiano, como a ausência de mais informações por parte de determinados organismos, a exemplo da Federação Portuguesa de Natação “e associações, que podem fazer um trabalho melhor”, pontuou Nuno Albuquerque; maior possibilidade de acessos a atletas (foi-se apontado, por exemplo, a blindagem do Benfica ao Diogo Ribeiro), mais acesso a imagens (fotografias), entre outras ponderações.
“Se tiver mais assinatura consigo mais pessoas para trabalhar e fazer mais conteúdo. E quanto mais conteúdo eu produzo mais gente vai ver e mais pessoas vão estar interessadas na natação”, acrescentou Joaquim Sousa, do site especializado Chlorus. “Temos cerca de 10 mil visitantes ao mês e agora há pouco fiz uma campanha de renovação assinatura e tive 30 assinaturas”, lamentou a dar um bom exemplo do panorama da comunicação social que busca fazer um trabalho alheio ao futebol.
Aos participantes, o encontro garante certificado de formação para fim de revalidação de título profissional de treinador (2.0 unidades de crédito) e de técnico de exercício físico e direção técnica (1.0 unidades de crédito); além de acreditação pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC) dos grupos 260/620, na modalidade curso de formação (29 horas).
A Câmara Municipal de Leiria, junto com o Instituto Politécnico de Leiria (Escola Superior de Educação e Ciências Sociais – ESECS) são copromotores desta 45ª edição. A Federação Portuguesa de Natação o principal parceiro do evento, que também conta com o apoio institucional do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), do Comité Olímpico de Portugal (COP), do Comité Paralímpico de Portugal (CPP), da Confederação de Treinadores de Portugal (CPAT), e da Associação de Natação do Distrito de Leiria (ANDL).

Foto: SM